sábado, 23 de agosto de 2014

Jesus e as tradições rabínicas



Mateus 15: 1-20; Marcos 7: 1-23
Com o afastamento dos seguidores de Cristo, após suas duras palavras ditas na sinagoga em Cafarnaum e decepção, por eles, em descobrir que Jesus não era o Messias libertador do jugo romano, mas o Filho de Deus, o Messias que libertaria os homens de seus pecados, ficaram apenas os doze Apóstolos, Jesus pergunta-lhes se não desejavam afastar-se dele, o Apóstolo Pedro faz sua declaração de fé. “Então, disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna, e nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus”. João 6: 66-69  O Mestre deixa a Judeia e segue para Galileia. “E, depois disso, Jesus andava pela Galileia e já não queria andar pela Judeia, pois os judeus procuravam matá-lo”. João 7: 1
Chegaram a Galileia, e uns escribas e fariseus, provenientes de Jerusalém, admoestaram o Senhor Jesus, por motivo de seus discípulos comerem sem lavar as mãos. Essas normas, tradições, eram acréscimos à lei mosaica, feitas pelos rabinos, após o retorno dos Judeus da escravidão babilônica e restauração do Templo de Salomão por permissão de Ciro, rei da Pérsia. Com o correr dos tempos, em 332 a.C, o Imperador Alexandre Magno domina a Palestina, conquistando-a do Império Persa, com sua morte, o Império foi dividido entre seus generais, fragilizando-se, isso fez com que os Judeus lutassem pela sua independência, conseguindo-a pelos Macabeus, porém não eram da tribo de Judá, nem de Levi, portanto não poderiam ser reis ou sacerdotes, havendo sedição entres eles, foram dominados pelos romanos em 63 a.C. Nesse período surgiram os fariseus e os escribas, tornando-se os guardadores da lei e das tradições, eram rigorosos, disciplinadores, gananciosos e cruéis. São eles que procuravam de todas as formas, contradizer o Senhor Jesus e ele, o Mestre, os confronta na própria lei, mostrando-lhes o erro e a hipocrisia de seus atos.
Exigiam que se lavassem as mãos e os utensílios várias vezes, não como objeto de higiene, mas um ritual de purificação religiosa. “Jesus respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim... Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição”. Mc 7: 6-13 E, ao chamar a atenção deles, faz referência ao mandamento de Deus relativo ao cuidado dos pais, em que eles deturpavam para obter ganhos materiais. “Porque Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe e: Quem maldisser ou o pai ou a mãe deve ser punido com a morte. Porém vós dizeis: Se um homem disser ao pai ou à mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor, nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua mãe, invalidando, assim, a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas”. Mc 7: 10-13
Jesus não está condenando o fato de se fazer a higiene ou profilaxia, mas o ato religioso de purificação espiritual. O culto judaico era genuinamente um rito formal, cerimonial frio que exigia do homem expor-se exteriormente, através de atos, a expiação de seu pecado, sem a busca interior da alma, do espírito. Não era o lavar as mãos, os utensílios, o dízimo ou as ofertas que o livraria de sua culpa, porém uma genuína entrega espiritual a Deus o faria livre de todo mal. Do interior do homem procedem todos os malefícios que o contamina. Jesus diz: “O que sai da pessoa é o que a faz ficar impura. Porque é de dentro, do coração, que vêm os maus pensamentos, a imoralidade sexual, os roubos, os crimes de morte, os adultérios, a avareza, as maldades, as mentiras, as imoralidades, a inveja, a calúnia, o orgulho e o falar e agir sem pensar nas consequências. Tudo isso vem de dentro e faz com que as pessoas fiquem impuras”. Mc. 7: 20-23
Se Deus é espírito, os seus seguidores devem amá-lo, segui-lo em espírito, os artifícios, os rituais, o cerimonial, os amuletos e toda a parafernália que simboliza um culto devem ser deixada, para ir à busca do Deus espiritual, não são as tradições, nem normas humanas que salvam, mas um coração contrito. “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus”. Salmos 51: 17
  

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