Mateus 15: 1-20; Marcos 7: 1-23
Com o afastamento dos seguidores de Cristo, após suas duras
palavras ditas na sinagoga em Cafarnaum e decepção, por eles, em descobrir que
Jesus não era o Messias libertador do jugo romano, mas o Filho de Deus, o
Messias que libertaria os homens de seus pecados, ficaram apenas os doze
Apóstolos, Jesus pergunta-lhes se não desejavam afastar-se dele, o Apóstolo
Pedro faz sua declaração de fé. “Então, disse Jesus aos doze: Quereis vós
também retirar-vos? Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos
nós? Tu tens as palavras da vida eterna, e nós temos crido e conhecido que tu
és o Cristo, o Filho de Deus”. João 6: 66-69 O Mestre deixa a Judeia e segue para Galileia.
“E, depois disso, Jesus andava pela Galileia e já não queria andar pela Judeia,
pois os judeus procuravam matá-lo”. João 7: 1
Chegaram a Galileia, e uns escribas e fariseus, provenientes
de Jerusalém, admoestaram o Senhor Jesus, por motivo de seus discípulos comerem
sem lavar as mãos. Essas normas, tradições, eram acréscimos à lei mosaica,
feitas pelos rabinos, após o retorno dos Judeus da escravidão babilônica e
restauração do Templo de Salomão por permissão de Ciro, rei da Pérsia. Com o
correr dos tempos, em 332 a.C, o Imperador Alexandre Magno domina a Palestina,
conquistando-a do Império Persa, com sua morte, o Império foi dividido entre
seus generais, fragilizando-se, isso fez com que os Judeus lutassem pela sua
independência, conseguindo-a pelos Macabeus, porém não eram da tribo de Judá,
nem de Levi, portanto não poderiam ser reis ou sacerdotes, havendo sedição
entres eles, foram dominados pelos romanos em 63 a.C. Nesse período surgiram os
fariseus e os escribas, tornando-se os guardadores da lei e das tradições, eram
rigorosos, disciplinadores, gananciosos e cruéis. São eles que procuravam de
todas as formas, contradizer o Senhor Jesus e ele, o Mestre, os confronta na
própria lei, mostrando-lhes o erro e a hipocrisia de seus atos.
Exigiam que se lavassem as mãos e os utensílios várias vezes,
não como objeto de higiene, mas um ritual de purificação religiosa. “Jesus
respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como
está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de
mim... Bem invalidais o
mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição”. Mc 7: 6-13 E, ao chamar a
atenção deles, faz referência ao mandamento de Deus relativo ao cuidado dos
pais, em que eles deturpavam para obter ganhos materiais. “Porque Moisés disse:
Honra a teu pai e a tua mãe e: Quem maldisser ou o pai ou a mãe deve ser punido
com a morte. Porém vós dizeis: Se um homem disser ao pai ou à mãe: Aquilo que
poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor, nada mais lhe
deixais fazer por seu pai ou por sua mãe, invalidando, assim, a palavra de Deus
pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a
estas”. Mc 7: 10-13
Jesus não
está condenando o fato de se fazer a higiene ou profilaxia, mas o ato religioso
de purificação espiritual. O culto judaico era genuinamente um rito formal, cerimonial
frio que exigia do homem expor-se exteriormente, através de atos, a expiação de
seu pecado, sem a busca interior da alma, do espírito. Não era o lavar as mãos,
os utensílios, o dízimo ou as ofertas que o livraria de sua culpa, porém uma
genuína entrega espiritual a Deus o faria livre de todo mal. Do interior do
homem procedem todos os malefícios que o contamina. Jesus diz: “O que sai da
pessoa é o que a faz ficar impura. Porque é de dentro, do coração, que vêm os
maus pensamentos, a imoralidade sexual, os roubos, os crimes de morte, os
adultérios, a avareza, as maldades, as mentiras, as imoralidades, a inveja, a
calúnia, o orgulho e o falar e agir sem pensar nas consequências. Tudo isso vem
de dentro e faz com que as pessoas fiquem impuras”. Mc. 7: 20-23
Se Deus é
espírito, os seus seguidores devem amá-lo, segui-lo em espírito, os artifícios,
os rituais, o cerimonial, os amuletos e toda a parafernália que simboliza
um culto devem ser deixada, para ir à busca do Deus espiritual, não são as
tradições, nem normas humanas que salvam, mas um coração contrito. “Os
sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito
não desprezarás, ó Deus”. Salmos 51: 17
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