Os relatos dos acontecimentos ocorridos na época de Jesus foram feitos
de acordo com os conhecimentos de cada
autor, os Evangelhos de Mateus e João descrevem os atos e mensagens do Mestre
pelos Apóstolos que presenciaram-nos, os de Marcos e Lucas por citações dos
Apóstolos, provavelmente Pedro e Paulo. Há, portanto, algumas diferenças, omissões
ou referências de um fato sem constar em outro Evangelho, mas isso não tira a
autenticidade dos escritos. O relato da
restauração da vida ao filho da viúva de Naim é um deles, citado apenas por
Lucas. No prefácio do Livro de Lucas, ele discorre sobre a sua pesquisa dos
acontecimentos. “Havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o
princípio”. Lucas 1:3b
Jesus, após ter curado o servo do Centurião em Cafarnaum,
seguiu com seus discípulos e uma grande multidão em direção à cidade de Naim. Essa
cidade ficava sobre o cume noroeste do Monte Hermom menor, era uma bela cidade,
distinguia-se uma linda vista da planície de Esdraelom e a região histórica que
a envolve. En-dor ficava ao leste de Suném, localizada agradavelmente entre
palmeiras, distava de Naim um quilometro e meio para sudoeste e um dia de
viagem de Cafarnaum. A estrada usada pelos peregrinos que seguiam em direção a
Jerusalém passava por Naim. Há atualmente no local da antiga aldeia uma grande
pedra, pela tradição, Jesus descansou nela “hejeret Yeshua”, pedra de Jesus. (
extraído do Conciso Dicionário Bíblico-editora Imprensa Bíblica
Brasileira-Convenção Batista Brasileira-1978)
Ao chegarem à entrada da cidade, depararam com um cortejo
fúnebre. Os povos do oriente não permitiam cemitério dentro da cidade. Seguia
uma grande multidão e com eles a mãe do rapaz, viúva, provavelmente dependia
dele. Jesus tomou-se de íntima compaixão. “E aconteceu que, no dia seguinte,
ele foi à cidade chamada Naim, e com ele iam muitos dos seus discípulos, e uma
grande multidão; E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um
defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia uma grande
multidão da cidade. E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela,
e disse-lhe: Não chores”. Lucas 7:11-13
O sofrimento dos homens não passa despercebido por Jesus,
ele sente profundamente no coração a necessidade de cada um e sofre como se
fosse consigo mesmo. Essa era a missão do Messias, levar as dores de quem sofre
e sofrer com os necessitados. “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas
enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito,
ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas
transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz
a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados“. Isaías 54:4-5
Interessante notar que Jesus aproximou-se do cortejo
fúnebre, não foi a pedido, mas de livre vontade, impulsionado pela
misericórdia. Os maiores sofredores daquela época eram mulheres, principalmente
viúvas e os órfãos, eram entregues a própria sorte. Os judeus e os gentios não
cuidavam de seguir as escrituras. “A nenhuma viúva nem órfão afligireis. Se de
algum modo os afligires, e eles clamarem a mim, eu certamente ouvirei o seu
clamor. E a minha ira se acenderá, e vos matarei à espada; e vossas mulheres
ficarão viúvas, e vossos filhos órfãos”. Ex.22:22-24
O Mestre ao dirigir a palavra à mulher, disse-lhe: Não
chores. Sublimes palavras! “Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor
está a vida. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”.
Salmos 35:5
Ao dizer-lhe não chores, estava identificando sua vitória
sobre a morte. Então diz ao defunto: levante-se e ele senta-se e começa a falar.
Mas antes toca no esquife, algo impensável para um rabi, pois o tornava imundo
perante a lei sacerdotal, porém o Mestre quebra o cerimonial que afastava o
homem comum dos religiosos da época. Ao ressuscitar o moço, mostra a todos sua
autoridade sobre a morte. “E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam
pararam), e disse: Jovem, a ti te digo: Levanta-te. E o defunto assentou-se, e
começou a falar. E entregou-o a sua mãe”. Lucas 7:14-15
E todos que presenciaram, foram tomados de temor, passando a
glorificar o Senhor e a fama de Jesus correu por toda parte. Aqueles que sofrem
e são tocados por Jesus, sentem temor, esse temor é um sentimento da
necessidade de estar na presença constante do Mestre e fazer-lhe a vontade, glorificando-o.
“E de todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande
profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo. E correu dele esta
fama por toda a Judeia e por toda a terra circunvizinha”. Lucas 7:16-17
“Aniquilará a morte
para sempre, e assim enxugará o Senhor DEUS as lágrimas de todos os rostos, e
tirará o opróbrio do seu povo de toda a terra; porque o SENHOR o disse”. Isaías
25:8 “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem
pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas”. Ap.
21:4