Mateus 14: 1-21; Marcos 6: 14-44; Lucas 9: 7-17; João 6: 1-13
Herodes, ao tomar conhecimento dos feitos de Jesus,
perturbou-se n’alma, pensava que João o batista a quem havia tirado a vida para
satisfazer Herodias, sua mulher, havia ressuscitado. Os discípulos de Jesus,
sabendo disso, informaram ao Mestre esse fato, ele prudentemente convidou-os, irem ao um lugar a sós para
refazerem as forças. Porém a multidão os acompanhou, chegou antes deles ao
local, Jesus, ao vê-los, teve íntima compaixão, curou os enfermos, trouxe-lhes
a mensagem do Reino. Como já era tarde, os discípulos aconselharam o Mestre
dispersar a multidão, para poderem comprar comida e abrigarem-se. Jesus coloca
diante deles uma tarefa de grande impacto de fé. “Jesus, porém, lhes disse: Não
é mister que vão; dai-lhes vós de comer”. Mateus 14: 16 Os discípulos já haviam
assistido vários milagres que atestavam a divindade de Jesus e ele ao
dizer-lhes para dar de comer aquela multidão, era para saberem a potencialidade
de conseguir fazê-la. Mas diante da multidão e com parcos recursos, sentiram-se
impotentes. “Filipe respondeu-lhe: Duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão,
para que cada um deles tome um pouco. E um dos seus discípulos, André, irmão de
Simão Pedro, disse-lhe: Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois
peixinhos; mas que é isto para tantos?” João 6: 7-9
Diante da adversidade e da incapacidade do homem em resolver
os seus problemas é que se vê a mão de Deus operar.
Um rapaz; gr paidariom: rapazinho, um adolescente, pão de
cevada, comida de pobre. (Novo comentário da Bíblia – Vol III – Edições Vida
Nova – 1979)
Observam-se os poucos recursos e a quantidade de pães e de
peixes insuficientes pra alimentar aquela gente. O rapaz, um adolescente,
proveniente de família pobre, pois somente pessoas de baixo poder aquisitivo fazia
uso de cevada, mas filho de mãe cuidadosa ao supri-lo de um pequeno lanche,
sabia que ele precisaria dele e ao fazê-lo, permitiu que Jesus o usasse para
alimentar uma multidão. O rapaz, sem imaginar o que ocorreria, deu o seu lanche
sem contestação, poderia recusar em dá-lo. Quantos em seu egoísmo recusam-se
ajudar o seu próximo, esquecem que ao ajudar poderão estar alimentando um
grande número de pessoas.
Jesus ordena aos discípulos que faça sentar os homens,
organizou-os em grupos, para receberem sem tumulto o seu alimento. Eram
aproximadamente cinco mil homens, somando as crianças, mulheres e idosos
pode-se chegar a vinte e cinco mil o total do povo, não é um total absurdo,
pois pelos relatos do Apóstolo João era época próxima a Páscoa, em que a
afluência de pessoa àquele local tornava-se muito grande e o testemunho sobre o
poder de Jesus em curar, expulsar demônios fazia com que uma multidão o
seguisse. Ele abençoa os pães e peixes, entrega aos discípulos e estes aos
homens representantes de cada grupo. Sobrando, após terem-se saciados, doze
cestos. Foram todos bem alimentados.
Muitos ao vir um grande obstáculo sentem-se impotentes, acham-se
incapazes de realizarem qualquer obra acima de suas forças. Nota-se que os
discípulos ao tomarem conhecimento do ocorrido com João o batista transmiti ao
Mestre, pode-se inferir o temor de acontecer o mesmo a Jesus e ele aproveita a
ocasião para refazer-se do cansaço, alimentar-se adequadamente, afasta-se para
reflexão, porém os que sofrem não lhe dão trégua e ele misericordioso, amorável
e compassivo os atende, cura-os, expulsa os demônios e os alimenta. Muitos o
procuram pelos bens materiais, esquecem a mensagem primordial de Jesus o revestimento
espiritual de cada fato, seja o milagre da cura, o cuidado com os enfermos e
todos os sinais e prodígios feitos por ele. Alimentou uma multidão com
quantidade insuficiente de pães e peixes. Foram saciados na fome carnal, mas
não na fome espiritual.
Na atualidade muitos procuram Jesus para satisfazer o seu desejo
carnal, curar-se, ser próspero, viver com abundância, esquecem-se da finalidade
precípua do reino de Cristo a essência espiritual, ser próspero
espiritualmente, pode-se viver com o mínimo para a sobrevivência carnal, mas
abundante no espirito.
Há erroneamente que pensa e publica dar-se o dízimo e ofertas
para obter os favores de Deus, a cura, a prosperidade. E há alguns que ao dizer
para fazê-lo, após o ato de dizimar e ofertar, cobrar de Deus o que deseja.
Estão vendendo a salvação, a cura e a prosperidade, faz-se comércio com o sacrifício
de Cristo.
“Jesus respondeu-lhes, e disse: Na verdade, na verdade vos
digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e
vos saciastes... O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as
palavras que eu vos disse são espírito e vida”. João 6: 26 e 63
“Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da
sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça
sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das
obras, para que ninguém se glorie”. Efésios 2: 7-9
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